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CGU: servidores da Abin suspeitos por espionar adversários de Bolsonaro e jornalistas estão sob investigação
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Dois servidores da Abin que foram presos pela PF teriam coagido colegas para não serem demitidos, segundo investigação;
- Por Camilla Ribeiro
- 20/10/2023 21h21 - Atualizado há 1 ano
A Controladoria Geral da União (CGU) realiza investigação que pode resultar em demissão de servidores da Agência Brasileira de Investigação (Abin) suspeitos de espionagem ilegal.
O Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento de cinco servidores de suas funções nesta terça-feira (17)
A Polícia Federal aprisionou dois servidores por terem participado do uso ilegal de sistema espião e também coagido seus colegas para não serem demitidos: Rodrigo Colli e Eduardo Arthur Yzycky.
A partir do avanço das investigações, o risco de demissão de mais servidores da agência é iminente.
Desde março, a CGU conduz a apuração que vinha sendo realizada pela corregedoria interna da Abin sobre vários agentes de inteligência.
Sobre os servidores que foram presos nesta quinta-feira, os processos administrativos contra eles já estariam na Casa Civil.
A lei que instituiu o sistema de inteligência no Brasil é de 1999. A Abin foi criada com o objetivo de colher informações de inteligência e fornecer subsídios para a Presidência da República.
A missão da agência é de preservar a soberania nacional, sem desrespeitar a democracia do país e a dignidade das pessoas.
Portanto, outras palavras, não são permitidos o uso de métodos secretos sem autorização da justiça, o que a CGU e a PF investigam.
A suspeita existente é de que servidores usaram a ferramenta, que oficialmente foi adquirida pelo governo brasileiro em dezembro de 2018, para a invasão de informações de, aproximadamente 10 mil proprietários de celulares a cada ano, sem permissão judicial.
Os alvos seriam: Jornalistas, ministros do Supremo Tribunal Federal e adversários do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Rodrigo Pacheco (PSD-MG), presidente do Senado, afirmou, nesta sexta-feira (20), durante entrevista coletiva, que o uso de uma instituição de Estado para “perseguição política é algo gravíssimo, que deve ser exemplarmente punido”.
Os alvos do monitoramento ilegal foram adversários do ex-presidente Jair Bolsonaro e jornalistas
Dois servidores foram estão presos preventivamente em Brasília. A PF também cumpre 25 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal.
De acordo com Pacheco, a atuação da Justiça “deve ser independente” com o objetivo de punir os envolvidos no episódio. Ele disse ter se informado a respeito da operação somente pela imprensa.